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Sabado, 29 de Agosto de 2026
“O piolho não pula e também não voa”, diz médico ao derrubar mitos e alertar pais.

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“O piolho não pula e também não voa”, diz médico ao derrubar mitos e alertar pais.

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Com a volta às aulas, um problema bastante comum entre crianças volta a preocupar pais e responsáveis: a pediculose do couro cabeludo, conhecida popularmente como infestação por piolhos. Apesar de não estar diretamente relacionada à falta de higiene, a condição se espalha com facilidade entre crianças devido ao contato próximo, principalmente durante brincadeiras e atividades escolares.

Matheus Rodrigues Brianez (@matheusbrianez) • Instagram photos and videos

(foto reprodução)

Em entrevista ao , o médico Matheus Brianez, residente em Medicina da Saúde da Família e Comunidade no Hospital Geral de Cuiabá e discente da pós-graduação médica em Dermatologia da Afya Cuiabá, explica quais são os principais sinais da infestação, como os pais podem fazer a inspeção do couro cabeludo, quais tratamentos devem ser evitados e quando é necessário procurar atendimento médico.

Segundo o médico, a coceira persistente, principalmente na região da nuca e atrás das orelhas, é um dos principais sinais da presença de piolhos. Ele também reforça que o pente fino continua sendo uma das ferramentas mais eficazes para auxiliar no diagnóstico e no tratamento.

Matheus ainda esclarece que receitas caseiras como vinagre, álcool e óleo não possuem evidências científicas que comprovem sua eficácia e podem causar irritações ou até queimaduras no couro cabeludo. O especialista também destaca que o piolho não pula nem voa e que a principal forma de transmissão ocorre pelo contato direto entre os cabelos.

Confira a íntegra da entrevista:

VGN - Dr., por que os piolhos são tão comuns entre as crianças, especialmente em idade escolar?

Matheus Brianez - A pediculose do couro cabeludo, que é a infestação pelos piolhos, é extremamente frequente na infância, porque as crianças acabam tendo um convívio muito próximo umas das outras. Então, é normal que, durante as brincadeiras, haja um contato direto, até mesmo entre as cabeças, que vai ser a principal forma de transmissão da doença.

Hoje em dia, a gente já sabe que o piolho não pula e também não voa. Ele apenas se desloca e se rasteja pelos fios de cabelo, utilizando as suas patas para se fixar nos cabelos. E tudo isso vai facilitar a disseminação do parasita, principalmente no ambiente escolar e com nossas crianças.

VGN - Quais são os principais sinais de que a criança está com piolhos? O que os pais devem observar?

Matheus Brianez - O sintoma mais característico vai ser a coceira persistente no couro cabeludo, principalmente na região de nuca e atrás das orelhas. Essa coceira ocorre principalmente porque a saliva do piolho vai gerar uma reação inflamatória na nossa pele.

Então, os pais devem observar pequenas feridas causadas pelo ato de coçar e procurar também os piolhos vivos e as lêndeas. Essas vão ser ovinhos firmemente aderidos ao fio do cabelo e também, geralmente, próximos à raiz.

VGN - Qual é a forma correta de fazer a inspeção no couro cabeludo? O pente fino é realmente eficaz?

Matheus Brianez - Sim, exatamente. O pente fino continua sendo uma das ferramentas mais eficazes tanto para o diagnóstico quanto para auxiliar o tratamento. O ideal é a gente examinar sempre o cabelo sobre uma boa iluminação, separar os fios em pequenas mechas e ir passando o pente fino desde a raiz até as pontas do cabelo.

Essa inspeção vai ajudar a gente principalmente nas regiões de nuca e atrás da orelha, as regiões onde o piolho costuma se concentrar.

VGN - Existe algum tratamento caseiro que realmente funciona ou é preciso usar produtos específicos?

Matheus Brianez - Então, atualmente não há nenhuma evidência científica que comprove a eficácia desses tratamentos caseiros, que eram muito utilizados antigamente, como vinagre, álcool, óleo e outras receitas populares.

Alguns desses métodos a gente até alerta, porque eles podem causar irritações e até queimadura no couro cabeludo, principalmente se for exposto ao sol.

Então, ainda o tratamento mais seguro consiste na utilização de medicamentos específicos, como loções e xampus, indicados pelos profissionais da saúde capacitados para isso. Então, sempre essas medicações vão ser utilizadas com o pente fino para remoção manual e auxílio da retirada desses piolhos e lêndeas.

VGN - O piolho está associado à falta de higiene ou qualquer criança pode ter?

Matheus Brianez - Esse é um mito que já caiu por terra e precisa ser desfeito. A presença de piolho não está diretamente relacionada à falta de higiene do cabelo. O piolho apenas precisa do sangue humano para sobreviver e pode infestar cabelo tanto limpo quanto sujo.

Então, qualquer criança pode adquirir a pediculose se tiver um contato direto com uma pessoa infestada, esteja ela com o cabelo limpo ou não.

VGN - Como os pais devem agir ao descobrir que o filho está com piolhos? É preciso avisar a escola?

Matheus Brianez - Eu sempre falo que, nesse momento, o mais importante é manter a calma e iniciar o tratamento quanto antes. Também é recomendado que a gente examine os outros moradores da casa, porque pode haver a transmissão entre a própria família.

Então, comunicar a escola é uma atitude responsável, que também vai permitir que outras famílias sejam orientadas a verificar seus filhos e também reduzir a propagação desse problema.

VGN - Quanto tempo o piolho sobrevive fora do couro cabeludo? É necessário lavar roupas de cama, toalhas e bonés?

Matheus Brianez - Hoje em dia, a gente já sabe que o piolho sobrevive em média de 24 a 48 horas fora do couro cabeludo. Por isso, a gente recomenda também lavar roupa, fronha, toalhas, bonés e escovas que foram utilizados recentemente.

É importante a gente ressaltar, mais uma vez, que a principal forma de transmissão do piolho ocorre pelo contato direto de cabelo, e não somente por objetos.

VGN - Existe alguma forma de prevenção eficaz? Repelentes naturais funcionam?

Matheus Brianez - A prevenção vai se basear principalmente, então, na identificação precoce dos casos e na inspeção periódica do couro cabeludo das crianças, especialmente quando houver relatos de infestação na escola.

Também é importante orientar as crianças a evitar esse contato direto e prolongado entre as cabeças durante as brincadeiras.

Já em relação aos repelentes naturais, até o momento, não existem evidências robustas que indiquem ou que comprovem a eficácia dessa prevenção na pediculose. Pelo contrário, existem contraindicações para crianças menores.

VGN - Crianças com cabelo curto têm menos risco de pegar piolhos?

Matheus Brianez - Esse é mais um mito diante da pediculose. O comprimento do cabelo não vai determinar diretamente o risco da infestação.

O que vai acontecer é que, obviamente, o cabelo mais longo vai ter um maior contato, mais fácil, o contato entre os fios de cabelo com outras crianças, o que vai favorecer a transmissão.

E o cabelo curto pode facilitar a gente na inspeção e no tratamento, mas isso não quer dizer que o tamanho do cabelo vai impedir ou não a criança de adquirir piolho.

VGN - Qual é o maior risco para a saúde da criança? O piolho transmite doenças?

Matheus Brianez - Diferentemente de outros parasitas, o piolho na cabeça não é considerado um vetor de transmissão de outras doenças.

O principal problema, igual já foi dito, vai ser a coceira intensa. Essa coceira vai provocar algumas lesões de pele e pode favorecer a infecção bacteriana secundária no couro cabeludo por fragilidade cutânea.

Então, em casos muito prolongados e muito intensos, principalmente quando não forem tratados, podem haver alterações na qualidade de vida da criança, podendo prejudicar o sono e até mesmo o rendimento escolar.

VGN - Em que momento os pais devem procurar atendimento médico?

Matheus Brianez - O que eu sempre bato na tecla é que o atendimento médico já deve ser realizado quando existir a dúvida do diagnóstico, e não somente para o tratamento.

Muitas vezes o tratamento não é realizado corretamente, a gente vai ver alguns sinais de infecção, pus, dor e aumento da vermelhidão local.

Então, tudo isso a gente consegue evitar já com o diagnóstico precoce, evitando aí reações alérgicas ou até mesmo alterações provocadas por medicamentos fortes que não deveriam ter sido utilizados.

Então, é interessante confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais adequado para cada criança, para cada situação e para cada idade.

VGN - Dr., qual o recado final que você deixa para os pais nesse momento de volta às aulas?

Matheus Brianez - E o recado final que eu gostaria de deixar aqui é que a pediculose é um problema muito comum na infância e que não deve ser encarado como uma vergonha ou um preconceito.

É importante aí que os pais façam as inspeções periódicas no couro cabeludo das crianças, principalmente no período de volta às aulas, para que iniciem o tratamento sempre que o problema já for identificado.

Então, a informação correta, o tratamento adequado e a parceria entre família, escola e profissionais da saúde vão fazer com que essas medidas fiquem mais eficazes para controlar a transmissão e proteger cada vez mais as nossas crianças.

 

FONTE/CRÉDITOS: João Fraga/VGN - foto reprodução
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