Nasci entre perguntas sem resposta,
Num mundo que não pediu meu nome.
Carrego falhas como quem carrega sombra,
E às vezes tropeço no que sou.
A perfeição nunca me encontrou.
Vejo os dias passarem indiferentes,
Como rios que não sabem para onde vão.
A razão é apenas uma pequena lanterna
Erguida contra a vastidão da noite,
Um gesto humano diante do infinito.
Talvez eu não seja inteiro nem reto,
Talvez haja desvios em minha alma.
Sou feito de escolhas inacabadas,
De medos que vestem meu silêncio,
E de ausências que me acompanham.
Mesmo assim, escolho permanecer.
Escolho dar sentido ao que parece vazio.
Em cada ato simples e consciente,
Respondo ao absurdo da existência
Com a coragem de continuar.
E quando penso em ti, algo resiste.
Não à morte, nem ao tempo, nem ao esquecimento,
Mas à indiferença que ronda os dias.
Pois, mesmo imperfeito e passageiro,
Amo-te do fundo do meu coração.
FONTE/CRÉDITOS: Poema: Odair José, Poeta Cacerense - foto reprodução
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