Os registros de violência contra mulheres aumentaram em diversas cidades de Mato Grosso no primeiro trimestre de 2026. Na região Oeste e Sudoeste do estado, Cáceres aparece entre os municípios com as maiores taxas proporcionais de ocorrências, enquanto os dados estaduais apontam crescimento expressivo em cidades como Sorriso, Tangará da Serra e Primavera do Leste.
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Em Cáceres, foram registrados 388 boletins de ocorrência entre janeiro e março deste ano, contra 397 no mesmo período de 2025, uma redução de 2,3%. Apesar da queda, o município apresentou uma taxa de 423 registros por 100 mil habitantes, uma das mais elevadas entre as cidades mato-grossenses com mais de 50 mil habitantes analisadas no levantamento.
Os dados são da plataforma Crime Brasil, que reúne registros de diferentes crimes cometidos contra mulheres. O levantamento considera ocorrências registradas pelas autoridades, e não necessariamente vítimas distintas.
Mato Grosso registra mais de mil ocorrências adicionais
Em todo o estado, foram contabilizados 13.515 boletins de ocorrência envolvendo mulheres de 18 a 59 anos como vítimas entre janeiro e março de 2026. No mesmo intervalo de 2025, foram 12.488 registros, uma diferença de 1.027 ocorrências, equivalente a um aumento de aproximadamente 8,2%.
Mesmo com a alta em relação ao ano passado, o número ficou abaixo do registrado no primeiro trimestre de 2024, quando Mato Grosso contabilizou 13.868 ocorrências.
O cenário reforça a importância de acompanhar os indicadores também nos municípios do interior, onde os números absolutos podem ser menores que os da capital, mas as taxas proporcionais ajudam a dimensionar a ocorrência dos registros em relação à população.
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Sorriso, Tangará e Primavera têm as maiores altas
Entre os municípios com mais de 50 mil habitantes considerados no levantamento, Sorriso apresentou o maior crescimento proporcional, de 28,6%. Os registros passaram de 423, no primeiro trimestre de 2025, para 544 nos três primeiros meses de 2026.
Em Tangará da Serra, o aumento foi de 27%, com os registros passando de 322 para 409. Primavera do Leste teve alta de 26,8%, de 284 para 360 ocorrências.
Sinop também registrou crescimento expressivo, de 19%, passando de 633 para 753 boletins de ocorrência.
Já em Cuiabá, que concentra o maior número absoluto de registros no estado, foram contabilizadas 3.325 ocorrências no primeiro trimestre de 2026, ante 3.195 no mesmo período do ano passado, um aumento de 4,1%.
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Taxas elevadas também aparecem no interior
Quando os números são comparados proporcionalmente à população, Cuiabá lidera, com 487 registros por 100 mil habitantes. Sorriso aparece em seguida, com 450, seguida por Barra do Garças, com 426, e Cáceres, com 423.
A taxa permite comparar municípios de diferentes tamanhos, mas não representa necessariamente a prevalência real da violência. Os registros também podem variar conforme a procura por atendimento e a formalização das denúncias.

Quais crimes entram no levantamento?
Segundo a metodologia informada pela Crime Brasil, os dados incluem boletins relacionados a ameaça, lesão corporal, injúria, perseguição, violência psicológica, descumprimento de medida protetiva, estupro e outros crimes previstos na Lei Maria da Penha e no Código Penal, desde que as vítimas sejam mulheres.
Os números não significam, necessariamente, que cada ocorrência corresponde a uma vítima diferente. Uma mesma mulher pode aparecer em mais de um boletim, e o registro de uma denúncia não equivale a uma condenação judicial.
Atenção à região: os dados apresentados permitem destacar Cáceres no cenário regional, mas não trazem números específicos de todos os municípios do oeste e sudoeste de Mato Grosso. Por isso, não é possível afirmar, com base apenas nesse levantamento, que houve aumento generalizado da violência em toda a região.
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