Apontada pela Polícia Civil como uma das principais lideranças de uma facção criminosa em Mato Grosso, Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, retornou nesta terça-feira (20) a Cuiabá, após ser capturada na Bolívia. Condenada a mais de 260 anos de prisão, ela foi encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, de onde havia fugido em agosto de 2025.
O recambiamento foi realizado por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), com apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
(foto reprodução) - Angeliquinha estava custodiada em Corumbá (MS), desde que foi entregue às autoridades brasileiras após sua prisão em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, em 22 de setembro.
Ao chegar à sede da GCCO, na Capital, permaneceu em silêncio e não respondeu aos questionamentos da imprensa. Posteriormente, foi entregue à administração penitenciária, responsável pela continuidade de sua custódia.
CAPTURA INTERNACIONAL — Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando escapou da penitenciária feminina de Cuiabá.
Sua localização foi resultado da troca de informações entre a Polícia Civil de Mato Grosso e as autoridades bolivianas.
Segundo os investigadores, ela tentou evitar o reconhecimento apresentando documentos falsos e realizando pelo menos cinco procedimentos cirúrgicos para modificar as características do rosto.
Na ocasião da prisão, o delegado Victor Hugo, da GCCO, explicou que a polícia boliviana já possuía informações e dados de identificação facial fornecidos pelos investigadores brasileiros, o que permitiu confirmar a identidade da foragida.
Contra Angeliquinha havia seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026.
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LIDERANÇA CRIMINOSA — As investigações apontam que Angeliquinha exercia influência sobre atividades criminosas no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios vizinhos.
Ela é investigada por envolvimento com tráfico de drogas, extorsões, lavagem de dinheiro e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.
Segundo o delegado Victor Hugo, a investigada seria responsável por aproximadamente 80% dos homicídios atribuídos a facções criminosas em Alta Floresta e região.
A estimativa corresponde à avaliação policial sobre sua atuação e não significa que ela tenha sido condenada por todos esses crimes.
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REGIME DIFERENCIADO — A 5ª Vara Criminal de Sinop determinou a inclusão de Angeliquinha no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), pelo prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.
A decisão foi tomada após representação da Polícia Civil, no âmbito da Operação Showdown, diante de indícios de que a investigada continuava exercendo funções de liderança na organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida.
O RDD estabelece regras mais rigorosas de custódia, com restrições destinadas a dificultar a comunicação e a articulação de atividades criminosas a partir do sistema penitenciário.
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OPERAÇÃO SHOWDOWN — Deflagrada em março deste ano, a operação investigou um núcleo familiar suspeito de dar suporte às atividades criminosas de Angeliquinha e participar de um esquema de lavagem de dinheiro.
Foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo prisões, buscas e apreensões, bloqueios de contas bancárias e sequestro de bens.
As investigações identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Segundo a Polícia Civil, empresas e outros empreendimentos teriam sido utilizados para dar aparência legal a recursos provenientes de atividades ilícitas.
Com o retorno a Mato Grosso, Angeliquinha permanecerá à disposição da Justiça para o cumprimento das condenações e demais determinações judiciais.
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