Pressionado pelo pedido de afastamento imediato da presidência do Corinthians, Augusto Melo tomou uma medida para conter gastos no Parque São Jorge.
O presidente, ao lado do diretor administrativo Ricardo Jorge, assinou um memorando na última quarta-feira, enviado a todos os departamentos do clube, solicitando um plano emergencial para a redução de custos. A informação foi publicada inicialmente pela Itatiaia e confirmada pela Gazeta Esportiva.
O documento pede que cada área operacional do Corinthians apresente dentro do prazo de dez dias um plano para "redução mínima de 30% no contingente pessoal e no total de despesas de cada pasta, corte de gastos com materiais operacionais e de escritório, priorizando o uso racional e o reaproveitamento de recursos, além da revisão de contratos e processos que gerem custos recorrentes e não essenciais". A diretoria alega ser uma ação de reestruturação administrativa, visando garantir a sustentabilidade do clube.
Esta não é a primeira medida de Augusto Melo para segurar gastos diante da reprovação do balanço financeiro de 2024, referente ao primeiro ano da gestão do mandatário. Na última terça-feira, ele assinou um outro memorando vetando a contratação ou promoção de profissionais em qualquer departamento do clube. A única exceção é o setor ligado ao futebol.
Pressão cada vez maior
A pressão sobre Augusto Melo está cada vez maior no Parque São Jorge. Também na última terça-feira, a Comissão de Justiça enviou ao presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior, um requerimento solicitando o afastamento imediato do mandatário da presidência do Corinthians, alegando "gestão temerária".
O documento chama a atenção para os pareceres do Conselho Fiscal e do Conselho de Orientação do clube, que recomendaram a reprovação das contas do ano passado, aponta descumprimentos estatutários e, principalmente, as infrações a artigos da Lei Geral do Esporte e do Profut. A decisão de afastar ou não o presidente cabe a Romeu Tuma Júnior.
Augusto e seus pares, por sua vez, alegam ter herdado uma dívida de R$ 191 milhões não contabilizada pela gestão de Duilio Monteiro Alves e pede a reabertura das contas de 2023. Na visão da diretoria atual, sem este valor, o clube deixaria de apresentar um déficit de R$ 181,7 milhões para ter um superávit de R$ 9,5 milhões.
O Conselho Deliberativo do Timão, contudo, diz que não recebeu documentos necessários para tal medida e inclusive já recusou o primeiro pedido. Pedro Paulo, membro do Cori, afirma que essa "suposta contingência não afetaria o resultado das contas".
Além do último pedido de destituição, Augusto Melo enfrenta outras três solicitações de impeachment no Corinthians. A mais avançada delas diz respeito ao escândalo da VaideBet. A votação já foi adiada duas vezes e iria acontecer no último dia 20 de janeiro, mas foi suspensa devido ao horário.
Romeu Tuma Júnior disse em entrevista coletiva na última quarta-feira que o processo será retomado assim que a Polícia Civil concluir o inquérito sobre o caso, o que deve ocorrer ainda no mês de maio.
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