O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a fazer duras críticas ao Santos por conta da dívida de R$ 18,6 milhões envolvendo a negociação do zagueiro Joaquim. Em entrevista exclusiva ao programa Gazeta Esportiva nesta segunda-feira, o dirigente elevou o tom contra o clube paulista, chamando o Peixe de “caloteiro”, “sem vergonha” e “golpista”.
“Eu vou expor, sim, o Santos. É um clube caloteiro mesmo, sem vergonha. A questão do estelionato esportivo é verdade. Você ficar na Série A sem pagar salário, sem pagar quem deve, é claro que você está se aproveitando de uma falha no sistema. É um golpe. Assim como disse em 2024, o Corinthians está dando golpe no futebol brasileiro. O Santos é outro golpista. Vamos parar de passar pano e vamos falar a verdade. Se não quiser ouvir verdades, paguem e aí irão parar de ouvir”, disparou.
(foto reprodução) - Na última semana, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), da CBF, condenou o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá. A cobrança envolve a contratação de Joaquim, realizada em 2023, e valores referentes à posterior venda do zagueiro ao Tigres, do México. O clube paulista ainda pode recorrer da decisão.
Segundo o Cuiabá, houve uma renegociação do débito, dividida em cinco parcelas, mas somente a primeira foi paga. A última prestação venceu em janeiro de 2025, e o clube mato-grossense acionou a CNRD em maio daquele ano.
Dresch espera posicionamento do Santos
Durante a entrevista à Gazeta Esportiva, Dresch afirmou que ainda aguarda uma posição do Peixe após a decisão da CNRD e disse acreditar que o clube tentará recorrer.
“A dívida do Santos é R$ 18,6 milhões. Eles foram condenados agora na CNRD. Não temos ainda uma posição oficial do Santos sobre esse processo. Acredito que vão tentar um recurso, que eu acredito que não vai seguir para frente também, pois o custo é muito alto. Seguimos aguardando, como estamos aguardando há dois, três anos esses times que nos devem”, afirmou.
O presidente ressaltou o peso que a ausência dos recursos tem para o orçamento do Cuiabá e comparou a capacidade financeira do Dourado com a dos grandes clubes do futebol brasileiro. “Clubes como o Cuiabá, que não têm a receita que esses grandes clubes têm, como patrocínio, e isso nos dificulta muito.”
Após a condenação, o Santos divulgou uma nota afirmando que a questão é tratada “pelos meios próprios e nos fóruns institucionais competentes”. O Peixe também declarou que a exposição pública do caso não contribui para a solução e reafirmou seu compromisso com o pagamento de suas obrigações financeiras.
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Presidente critica modelo associativo
Dresch também ampliou as críticas ao comentar o modelo de gestão dos clubes associativos. O dirigente, que é proprietário da SAF do Cuiabá, citou o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, e questionou se determinadas decisões seriam tomadas caso dirigentes tivessem seu patrimônio pessoal envolvido.
“Eu sou o dono do Cuiabá. É meu nome que está em risco, é meu patrimônio pessoal, então me exponho. Agora, esses clubes que não têm dono não têm medo nenhum. O presidente do Santos [Marcelo Teixeira], por exemplo, se tivesse o nome dele e o patrimônio em risco, faria uma negociação como a que foi feita com Neymar? Se eu não me engano, o time tem uma dívida que ultrapassa R$ 100 milhões com o Neymar. Esse modelo associativo é do século passado”, pontuou o cartola do Cuiabá.
A Gazeta Esportiva procurou o Santos após as declarações de Cristiano Dresch. O clube informou que, por enquanto, não irá se pronunciar sobre o assunto.
Corinthians também é alvo
O Santos não foi o único clube criticado pelo presidente do Cuiabá. Dresch também voltou a cobrar o Corinthians por valores relacionados à negociação do volante Raniele.
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