O Corinthians corre o risco de perder o plano de pagamento aprovado pela Justiça no Regime Centralizado de Execuções (RCE). Em manifestação na última terça (20), o Ministério Público de São Paulo deu prazo de 15 dias para que o clube regularize os pagamentos atrasados para os credores que fazem parte do acordo.
Além de convocar a Administradora Judicial a se manifestar, o promotor Roberto Victor Anelli Bodini cobrou que o clube paulista comprove em duas semanas o depósito e o pagamento integral dos valores pendentes dos rateios referentes a julho (R$ 2.499.657,51) e agosto (R$7.641.299,28), totalizando R$ 10.140.956,79, “sob pena de revogação do benefício de suspensão das execuções individuais e retomada dos atos expropriatórios”.
O MP-SP determinou ainda que o Corinthians comprove, também em 15 dias, um pagamento de R$ 26.034.838,02 atribuído à Caixa Econômica Federal que teria sido feito no dia 25 de junho, assim como apresentação dos extratos bancários da respectiva conta de origem e demonstrações contábeis da Arena Itaquera S.A., sob pena de recusa definitiva do lançamento na base da RCE e imediato recálculo majorado do aporte referente a junho.
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"O exame conjunto dos relatórios técnicos da Administradora Judicial e das manifestações dos credores evidencia que o cumprimento do plano pelo Sport Club Corinthians Paulista vem atingindo ponto crítico de estrangulamento financeiro, demandando intervenção judicial para evitar a degeneração do instituto concursal em blindagem patrimonial", destacou o MP.
Outro pedido de esclarecimentos é sobre o contrato do clube com a Nike. O MP quer que o clube explique a classificação contábil do ingresso de R$ 32.775.000, em 31 de agosto relativo à fornecedora de material esportivo colocado como operação financeira, bem como apresentar os instrumentos solicitados pela administradora judicial.
O Corinthians também deve publicar o edital do leilão reverso contemplando o valor de R$ 3.141.958,11, relativo a 20% das transferências de atletas entre fevereiro e agosto, e o levantamento de valores a serem pagos a credores específicos, que apresentaram reclamações nos autos.
A ESPN vem mostrando diversos problemas do Corinthians em seu RCE. Ontem, o empresário Carlos Leite, por meio da empresa a RC Consultoria, apontou que o Corinthians deixou de pagar 42% de seu rateio do mês de agosto e ainda 100% do que deveria ter sido embolsado em setembro. A empresa classificou o ocorrido como "graves irregularidades".
A petição de Carlos Leite vem logo depois de outros credores denunciarem falta de pagamento do Corinthians no âmbito do RCE. Também reclamaram ausência de pagamentos ou comprovantes o empresário André Cury, o time paulista Nacional, a ex-patrocinadora Pix Star e o advogado Nelson Wilians. Tudo isso enquanto o perito responsável por fiscalizar o processo deu prazo para o Timão comprovar o destino de mais de R$ 10 milhões.
No início do mês, em uma manifestação de 63 páginas, o perito responsável por administrar o RCE enviou uma série de questionamentos e cobranças ao Corinthians na Justiça, dando o prazo de 15 dias para a manifestação do clube.
Entre elas, o esclarecimento de onde estão R$ 2,5 milhões "pendurados" pelo clube que deveriam ter sido destinado a credores em julho, o rateio de mais R$ 7,6 milhões dos pagamentos de agosto, a natureza de lançamentos sem contrapartida, explicações sobre a dívida com o Talleres, exigência dos contratos com a Nike, divergências de valores e demonstrações financeiras da Arena, entre outros.
Caso perca seu RCE, o Corinthians vai voltar enfrentar centenas de processos judiciais que hoje estão paralisados pela Justiça e, antes da homologação do plano, vinham bloqueando as contas do clube sucessivamente e impedindo o pagamento de salários. O clube listou mais de R$ 700 milhões em dívidas judiciais que poderiam ser contempladas no regime.
Em nota oficial, o Timão se manifestou dizendo que o RCE tem grande importância em sua reorganização financeira, tratando de forma técnica e responsável os pontos relacionados aos pagamentos, sempre buscando o cumprimento de suas obrigações. Veja abaixo:
O Sport Club Corinthians Paulista reforça que o Regime Centralizado de Execuções (RCE) é um instrumento de grande importância para o processo de reorganização financeira do Clube e para a construção de uma solução sustentável em relação às suas obrigações.
O Corinthians acompanha permanentemente a execução do plano e está tratando, de forma técnica e responsável, todos os pontos relacionados aos pagamentos, compromissos financeiros, operações realizadas e receitas vinculadas ou comprometidas.
Os esclarecimentos específicos a respeito dos questionamentos apresentados, incluindo valores, critérios adotados, fluxo de pagamentos, contratos, cessões de recebíveis e demais aspectos mencionados, serão prestados formalmente nos autos, com a documentação e o detalhamento necessários, assim como serão apresentados ao Administrador Judicial nos canais adequados.
O Clube ressalta que mantém diálogo com os agentes envolvidos e adotará as medidas necessárias para preservar o RCE e sua finalidade, sempre buscando compatibilizar o cumprimento de suas obrigações com a manutenção das atividades e a recuperação do equilíbrio econômico-financeiro da instituição.
Por fim, o Corinthians reconhece os desafios do atual cenário financeiro e segue trabalhando em diferentes frentes para reorganizar seu fluxo de caixa, reduzir seu endividamento e criar condições para o cumprimento sustentável de seus compromissos. O Clube entende, também, que questões dessa complexidade devem ser tratadas com responsabilidade e, por essa razão, evitará antecipar publicamente informações.
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