Júlio Casares foi expulso do quadro associativo do São Paulo após votação realizada pelo Conselho Deliberativo na tarde desta quinta-feira. O pleito ocorreu de forma híbrida, no auditório do Morumbis, e terminou com 224 votos favoráveis à exclusão, dois contrários e cinco abstenções.
Além da expulsão, os conselheiros também aprovaram, pela mesma margem de votos, a recomendação da Comissão de Ética e Disciplina para que Casares faça o ressarcimento integral ao São Paulo por eventuais despesas particulares realizadas com o cartão corporativo do clube.
Casares foi expulso do quadro de associados após ser alvo de apurações internas por possíveis casos de gestão temerária e supostas irregularidades financeiras durante o período em que presidiu o São Paulo, entre 2021 e janeiro de 2026.
(foto reprodução)
O que recomendou a Comissão de Ética
A Comissão de Ética e Disciplina do São Paulo recomendou, por unanimidade, a expulsão de Júlio Casares do quadro associativo. O órgão é composto por cinco membros: Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton José Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja. Todos votaram a favor da exclusão.
A decisão da Comissão de Ética baseou-se em apurações internas que apontaram possíveis casos de gestão temerária e supostas irregularidades financeiras cometidas por Casares durante sua gestão. O ex-presidente também é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por suposta lavagem de dinheiro e possível exploração clandestina de um camarote no Morumbis.
Casares teve a oportunidade de se defender perante os membros da Comissão de Ética em audiência realizada no último dia 31 de julho, mas optou por não comparecer e enviou apenas sua defesa.
No parecer final, Casares foi enquadrado no parágrafo 8º do artigo 34 do Estatuto Social do clube, que prevê a eliminação do quadro associativo de um sócio condenado definitivamente em processo judicial ou responsabilizado disciplinarmente pela prática de ato de gestão irregular ou temerária.
"§ 8º Estará sujeito à pena de eliminação do quadro associativo do SPFC o associado que for condenado em processo judicial, definitivamente, ou venha a ser responsabilizado disciplinarmente, pela prática de ato de gestão irregular ou temerária, na forma da legislação vigente, em especial o disposto no art. 25 da Lei nº 13.155, de 04 de agosto de 2015, ou naquele que vier a substituí-lo".
Além disso, a Comissão de Ética recomendou que Casares ressarcisse o São Paulo por eventuais despesas particulares realizadas com o cartão corporativo. O ge revelou que o ex-presidente teria gastado R$ 1 milhão no cartão do clube para fins pessoais. O órgão também pediu que ele indenizasse o São Paulo com base no artigo 11 do estatuto social.
(foto reprodução)
As investigações sobre supostas irregularidades
As investigações sobre possíveis irregularidades na gestão Julio Casares tiveram início ainda em dezembro de 2025 com a revelação, feita pelo ge, de um esquema ilegal de venda de ingressos para shows em um camarote no Morumbis. Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo e ex-esposa do presidente tricolor, e Douglas Schwartzmann, diretor adjunto de futebol de base, foram citados nominalmente e pediram licença de seus respectivos cargos. A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar o caso, e tanto Mara como Douglas foram expulsos do clube em votação conduzida pelo Conselho Deliberativo.
Pouco tempo depois, no dia 22 de dezembro, a Polícia Civil passou a investigar um suposto esquema de desvio de dinheiro na venda de atletas, iniciado em 2021, no começo da gestão Casares.
Já no início de janeiro de 2026, a investigação da Polícia Civil identificou movimentações suspeitas relacionadas a Julio Casares, apontadas por relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O ex-presidente do São Paulo teria recebido R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025, período em que já administrava o Tricolor. Por meio de nota oficial, os advogados do mandatário descartaram qualquer tipo de irregularidade.
Também foram identificados 35 saques em dinheiro das contas do clube, entre 2021 e 2025, que totalizaram R$ 11 milhões. Diante deste cenário, a Polícia Civil também passou a investigar Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol, que teria aberto 15 empresas justamente no período em que atuou no clube. As autoridades procuram entender se há algum tipo de ligação entre a abertura das companhias e os possíveis desvios de dinheiro.
Ainda em janeiro, o MP-SP, juntamente com a Polícia Civil, instaurou um novo inquérito para averiguar um possível caso de corrupção no departamento social do São Paulo. O principal alvo da investigação é António Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, que atuava como diretor social do clube até deixar o cargo em janeiro deste ano, em comum acordo com o presidente Harry Massis.
Comentários: