A menos de um ano da Copa do Mundo e em meio à incerteza sobre Neymar, Carlo Ancelotti deu um recado claro para os jogadores brasileiros. O treinador ainda terá mais uma data FIFA antes de fechar a convocação para o torneio, mas parece convicto do que será preciso para que um atleta integre o elenco da Seleção Brasileira no Mundial.
“O talento marca a diferença, porque nunca vi equipe que não tem talento ganhar. Nós temos que construir uma estrutua de jogo, de trabalho, na qual o talento tem que estar a serviço da equipe, isso é bastante claro. Quero na convocação jogadores que querem ser os melhores do mundo, quero chamar jogadores que querem ganhar a Copa do Mundo. Isso também é a diferença entre um grande jogador e um líder no campo. O líder põe seu talento pela equipe”, disse Ancelotti durante conferência que participou no Summit CBF Academy 2025, em São Paulo.
O treinador italiano tem se acostumado com questionamentos em relação a Neymar, principal jogador brasileiro da atual geração, mas que vem enfrentando muitos problemas físicos. Desde que retornou ao Santos, o craque, que agora lida com um problema no menisco do joelho esquerdo, já sofreu quatro lesões e ainda não foi convocado por Ancelotti para a Seleção Brasileira. Por isso, sua presença na Copa do Mundo de 2026 tem se tornado cada vez mais improvável.
O talento de Neymar é inegável, porém, suas condições físicas estão longe das ideais. Sem conseguir render em alto nível até agora, o jogador do Santos, nos últimos anos, teve uma conduta dentro e fora de campo que contrasta com aquilo que é imprescindível para Ancelotti.
“O talento é um aspecto muito importante para ganhar o jogo, está claro. O futebol mudou, vai mudar no futuro também, sobre isso não tenho nenhuma dúvida. O futebol de hoje não é o futebol dos anos 2000 ou dos anos 1980. Nos anos 1970, Pelé podia ganhar um Mundial solo, com Rivelino e Tostão. Nos anos 1980, o Maradona podia ganhar o Mundial solo. Em 1994, o Brasil tinha dois talentos extraordinários com Romário e Bebeto na frente, mas também tinha solidez defensiva ajudando os talentos, e com essa estrutura ganharam o Mundial”, comentou.
“O que quero dizer é que agora o talento só não ganha. Então, nosso trabalho é de sustentar esse talento com tudo o que podemos fazer. Estruturar bem a equipe, a CBF, seriedade, profissionalismo, competência e todos dando estrutura no aspecto técnico. Melhorar o conhecimento, a competência de todos os treinadores, a preparação física, o aspecto mental dos jogadores, porque agora, sobretudo os jovens, lidam com muita responsabilidade. Acho que o aspecto psicológico é muito importante”, completou.
Por fim, Ancelotti fez questão de explicar que qualquer decisão tomada dentro de campo não tem cunho pessoal.
“A relação consiste no que a pessoa é e não no que a pessoa faz. Um jogador no banco de reservas pensa que é uma coisa pessoal, mas é uma coisa profissional. No dia seguinte não dá bom dia. A relação pessoal e a relação profissional são coisas diferentes. Pode ser que eu prefira jantar com um jogador que está no banco do que com o jogador que vai jogar. Mas, eles não entendem muito bem”, concluiu.
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