Ter Erling Haaland e Harry Kane em campo era quase uma garantia de gol para algum deles, possivelmente até dos dois. Mas, nas arquibancadas do Hard Rock Stadium, quem pagou milhares de dólares para ver o confronto dos artilheiros teve que aplaudir outro protagonista.
"Hey, Jude..."
Decisivo nas oitavas de final contra o México, Jude Bellingham deu novamente o ar da graça e tomou o jogo para si neste sábado (11), em Miami. Schjelderup colocou a Noruega na frente, mas o camisa 10 e craque do Real Madrid marcou duas vezes, uma delas na prorrogação, para fazer a Inglaterra vencer por 2 a 1, avançar à semifinal da Copa do Mundo e manter outra música nas paradas de sucesso.
"It's coming home, it's coming home..."
Belligol foi o grande destaque de uma tarde de quase nenhum brilho das outras estrelas. Kane pouco conseguiu fazer a não ser chutar uma falta por cima do travessão. Haaland foi tão sumido quanto, com mínimos toques na bola e nenhum espaço como o que teve para decidir a classificação sobre o Brasil, há uma semana. Atuação tão ruim que o fez ser substituído no intervalo da prorrogação.
Assim chegou ao fim o conto de fadas da Noruega, que encerra a melhor campanha de sua história nas quartas de final, superando as oitavas de 1998. Para a Inglaterra, é a quarta semifinal de Copa. Em 1966, o título veio em casa. Mas 1990 e 2018 terminaram em frustração grande. O roteiro final de 2026 ainda é imprevisível.
No momento, é comemorar e esperar. Ou melhor, assistir de camarote à definição de quem será o próximo adversário. Ainda neste sábado, mas às 22h (de Brasília), Argentina e Suíça duelam em Dallas pela última vaga aberta na semifinal. De um lado, os atuais campeões do mundo. Do outro, a última tentativa de uma zebra.
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Batalha da posse, gols e um anulado
Quem assumiria o controle de um jogo entre duas equipes que gostam de ter a bola? A Inglaterra conseguiu se sobressair neste quesito e chegou a ter 72% de posse em parte do primeiro tempo. A Noruega, porém, é uma equipe adaptável o bastante para se adequar a uma nova estratégia, bem diferente da vitoriosa contra o Brasil.
Bellingham, em um cabeceio furado, e O'Reilly, em uma finalização sem jeito após cruzamento forte de Madueke, tiveram as melhores chances para a seleção de Thomas Tuchel. Kane, encaixotado entre os zagueiros, foi visto só em uma cobrança de falta. O telão do Hard Rock Stadium foi buscar David Beckham nas tribunas, mas o chute do atual capitão, por cima, não se inspirou no passado.
A pausa para hidratação ofereceu uma chance para a Noruega arrumar o que estava errado. E assim, as jogadas foram saindo. Haaland, de cabeça, finalizou em cima de Pickford. No minuto seguinte, aos 36, outro cruzamento encontrou as redes direto. Schjelderup, em lance completamente sem querer, baixou a cabeça para encontrar o camisa 9 na segunda trave. A bola, na verdade, esbarrou na trave e entrou para delírio dos "vikings".
O gol fez a partida se abrir por completo. Odegaard forçou defesa de Pickford no canto, enquanto Sorloth, em um contra-ataque dois contra um, perdeu a chance de servir Haaland e desperdiçou. Do outro lado, não houve perdão. Gordon encontrou Bellingham, que, dentro da área, bateu forte de canhota para empatar. Minutos depois, uma imagem de um suposto toque da bola na câmera suspensa do estádio viralizou nas redes sociais, o que, se aconteceu, deveria ter invalidado o lance.
Anulado foi o gol de Kane, que, em posição de impedimento, bateu de cavadinha após receber de Bellingham. O semiautomático confirmou a infração.
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Noruega encurrala, mas Bellingham decide
Tuchel trouxe consigo novidades do intervalo. Sacou Rice e Madueke para apostar em um meio-campo mais ofensivo, com Eze lado a lado com Bellingham, e a entrada de Saka no ataque. Mas, em vez de assistir ao time subir de nível, viu o efeito contrário.
A Noruega, bem mais perigosa e arrumada do que na primeira etapa, ficou a detalhes de marcar. Na verdade, até fez o segundo gol, com Heggem, em rebote de Pickford, mas o lance foi anulado após o VAR revisar empurrão de Haaland em Elliot Anderson, seu futuro colega de City.
Stale Solbakken viu a chance de encurralar a Inglaterra e mexeu no time. Oscar Bobb e Nusa, pontas mais rápidos e dribladores, refrescaram o ataque nórdico. Do outro lado, Tuchel apostou em Reece James como volante para recuperar o controle do setor. Ajer, em cabeceio na travessão, teve a chance de recolocar os noruegueses à frente do placar. Seria a última chance antes da prorrogação.
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Nela, um lance seria fatal para definir a história do jogo. Ele veio ainda no primeiro tempo, a favor da Inglaterra. Morgan Rogers, outro que saiu do banco, arriscou de longe, Nyland deu rebote e Bellingham, com um instinto de centroavante, não desperdiçou. Novamente com dois gols, assim como na fase anterior, ele mandaria o país de volta a uma semifinal.
Haaland, praticamente nulo, sequer voltou para os 15 minutos finais da prorrogação. Os ingleses tiveram até chances para ampliar, mas Spence e Saka pararam em defesas do goleiro. Já não importava mais. A vaga é de quem aproveitou mais as chances. A vaga é de quem tem Bellingham.
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