Em uma entrevista ao Mengo Cast, na Flamengo TV, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Batista (Bap), ligou o sinal de alerta máximo para as finanças do clube e do futebol brasileiro. O dirigente analisou os impactos da Medida Provisória que determinou a proibição imediata das atividades de casas de apostas sem licença ou regramento específico no país, projetando um prejuízo que pode alcançar R$ 400 milhões por ano nas contas rubro-negras.
Segundo Bap, o encerramento abrupto dessas parcerias afeta não apenas o contrato de patrocínio máster com a Betano, mas todo o ecossistema comercial do clube: placas de publicidade no Maracanã, direitos de transmissão do Campeonato Carioca e, principalmente, os aportes voltados para o esporte olímpico do Rubro-Negro.
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Risco para contratações
Durante a conversa no Mengo Cast, o presidente ressaltou que o Flamengo é um clube adimplente e rigoroso com suas obrigações. Contudo, a perda de receitas futuras por conta da Medida Provisória das bets compromete diretamente o planejamento do futebol profissional.
— A gente tem um respeito enorme pela reputação da gente e ficou muito claro no minuto zero de que uma série de compromissos futuros estão ameaçados. Como é que eu vou pagar o Paquetá em janeiro? Essa Medida Provisória compromete as receitas do futuro, afeta a folha do futebol e as contratações. Em vez de contratar jogadores, vamos ter que contratar advogados — desabafou Bap.
Além da perda de patrocínios em caixa, como o patrocínio máster da Betano, o dirigente revelou um impacto operacional imediato nas lojas oficiais do clube: cerca de 150 mil camisas oficiais com a estampa da marca patrocinadora estão estocadas para as vendas de fim de ano e ficarão proibidas de comercialização a partir do início de outubro.
Lei da oferta e desvalorização das camisas
(foto reprodução) - Bap rebateu as críticas de que o futebol brasileiro vivia de forma artificial com o dinheiro das bets. O presidente do Flamengo alertou que a enxurrada de clubes buscando novos parceiros de patrocínio máster ao mesmo tempo causará uma desvalorização drástica no mercado nacional.
— Se você tem um apartamento para vender num prédio, ele se valoriza. Mas, se forem 20 apartamentos à venda ao mesmo tempo, o preço despenca. Quem quiser entrar agora no futebol vai comprar na baixa. Um patrocínio máster que valia R$ 100 milhões, você vai ter que fechar por R$ 30 ou R$ 40 milhões. Quem está comemorando essa Medida Provisória é a Argentina, que vai ver o futebol brasileiro perder força — explicou o dirigente no Mengo Cast.
Recusa ao crédito do BNDES e via judicial
(foto reprodução) - O presidente do Flamengo também rejeitou a possibilidade de utilizar a linha de crédito de R$ 20 bilhões anunciada pelo Governo Federal via BNDES para reestruturação dos clubes. Para Bap, a proposta não atende à realidade do Rubro-Negro.
— Essa linha de crédito não tem serventia para o Flamengo porque o Flamengo não deve nada a ninguém. O problema não é o passado ou o estoque da dívida, mas o fluxo de receita futura que foi cortado pelas restrições às bets — pontuou.
O clube aguarda os desdobramentos das ações diretas de inconstitucionalidade movidas contra a Medida Provisória no Supremo Tribunal Federal (STF) por associações do setor de jogos, além de consultas no Senado. Até que a situação jurídica seja completamente resolvida, o Flamengo garantiu que manterá o respeito ao contrato de patrocínio máster com a Betano e não buscará um novo parceiro.
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