O programa conhecido nos Estados Unidos como ‘troca de rins’, entre pessoas vivas, surge no horizonte como uma possibilidade de salvar vidas também aqui no Brasil.
Dias atrás, na leitura cotidiana dos noticiários, me deparei com a história de vida de uma atriz estadunidense que ganhou um novo rim com esse sistema de troca.
O órgão que o irmão se propôs a doar para Bijou Phillips, 46, estrela de filmes e séries de Hollywood, não compatível com ela, foi transplantado em outro paciente.
Desta maneira, a atriz assegurou prioridade como receptora do próximo rim compatível que surgisse dentro do programa de troca.
Poucos meses depois, narra a atriz, surgiu um rim tão compatível que era como se ela estivesse recebendo o órgão de um dos pais.
A atriz fez o transplante e, agora, celebra a independência da máquina de hemodiálise e mais qualidade de vida.
No Brasil, ocorreu neste ano, em maio, o primeiro transplante renal "pareado".
Em moldes comparado ao programa americano, o transplante aconteceu em Minas Gerais.
Foi realizado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP) e a Santa Casa de Juiz de Fora.
À exemplo do que acontece nos Estados Unidos e em outros países, esse sistema pareado, se ocorrer de forma regular, poderá salvar muitas vidas.
Nesse primeiro caso brasileiro, os dois hospitais compartilham uma lista de pacientes que possuem doadores vivos incompatíveis.
Esse compartilhamento permitiu identificar compatibilidades entre pacientes e doadores inscritos.
Foi constatado que um doador vinculado a um paciente em São Paulo era compatível com um receptor em Juiz de Fora, enquanto o doador mineiro era compatível com um paciente atendido no Hospital das Clínicas.
Entretanto, como sempre, a burocracia do país sempre apresenta algum empecilho.
O Brasil não dispõe de lei específica e a legislação atual de transplantes (9.434/1997) não faz referência à possibilidade de pareamento.
Há quase dois anos, existe um projeto tramitando na Câmara Federal sobre alteração da lei geral de transplantes para autorizar a doação de órgãos em situações de transplante pareado.
De outubro de 2024, o projeto, pelo que pesquisei, não está parado, esquecido em uma comissão qualquer.
No Brasil, a fila de espera por um transplante de rim é a maior entre todos os órgãos.
Das quase 43 mil pessoas que esperam por transplante de órgão, 38 mil lutam por um novo rim.
No ano passado, 2025, o Brasil fez 6.705 transplantes renais.
Esse número representa apenas 17% dos pacientes que esperam por um órgão.
Neste ano, 2026, foram realizados 3.270 no primeiro semestre, entre janeiro e junho.
Mato Grosso, de acordo com dados no Ministério da Saúde, fez, em 2025, apenas oito transplantes renais.
Neste ano, fez sete.
ALECY ALVES é jornalista e bacharel em Serviço Social.
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