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Segunda-feira, 07 de Setembro de 2026
Professor Licio Antonio Malheiros Jornalista, articulista e geógrafo.

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Professor Licio Antonio Malheiros Jornalista, articulista e geógrafo.

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A chamada em questão está como “estória”, e não “história”, justamente por se tratar de Pinóquio, um dos personagens mais conhecidos da literatura infantil.

A história do boneco de madeira que ganha vida, escrita em meados do século XIX, foi criada na Itália por Carlo Collodi (1826–1890) e traduzida para o mundo inteiro, ganhando inúmeras adaptações.

Essa história foi contada por meio das aventuras de um senhor chamado Gepeto, que morava sozinho em um pequeno quartinho e tinha como hobby trabalhar com madeira.

Certo dia, resolveu criar um boneco articulado de madeira para lhe fazer companhia, que soubesse dançar, lutar esgrima e dar saltos mortais.

“Seu nome será Pinóquio”, disse ele ao terminar o boneco. “Pena que não possa nem falar! Mas não faz mal. Mesmo assim, será meu amigo!”

Com o passar do tempo, o boneco fazia companhia a Gepeto, porém permanecia inerte, por ser feito de madeira. Em uma noite, a Fada Azul foi visitar o boneco de madeira e, ao dizer “Pimbinlimpimpim”, deu-lhe vida.

Pinóquio, que agora era capaz de falar e andar, agradeceu imensamente à Fada Azul, pois o solitário Gepeto teria, finalmente, alguém com quem conversar.

Ao acordar, Gepeto não conseguia acreditar no que estava acontecendo e, a princípio, achou que estivesse sonhando.

Afinal, convenceu-se de que aquilo era realmente a vida real e agradeceu ao destino, prometendo que Pinóquio seria seu filho.

Para os dois, a vida ganhou um novo alento. O senhor Gepeto passou a tratar Pinóquio como um filho e matriculou-o na escola assim que pôde. O travesso Pinóquio, no entanto, não gostava muito de estudar.

Ao longo de suas aventuras, Pinóquio se mete em uma série de enrascadas: mente para o pai, foge da escola e se envolve com más companhias. Mas acaba sempre sendo salvo pela Fada Azul, que o protege e o direciona para o caminho certo.

Porém, a Fada Azul lhe faz uma advertência: “Cada vez que você mentir, seu nariz irá crescer”, ainda que muitas vezes Pinóquio mentisse de modo impensado e apenas para se proteger e proteger os seus.

Passados aproximadamente dois séculos, voltamos ao século XXI, em um país chamado Brasil, que se encontra em pleno processo eleitoral, tanto para os cargos majoritários quanto para os proporcionais.

Com uma grande quantidade de cargos em disputa, um deles será responsável pela condução do nosso país: o de presidente da República Federativa do Brasil, que irá nos nortear pelos próximos quatro anos.

No decorrer do processo eleitoral, além das pesquisas, existem também as sabatinas com os postulantes ao cargo máximo da Nação.

Uma emissora de televisão, em uma de suas sabatinas, entrevistou um dos postulantes ao cargo, o senhor Loli da Silva. Até aí, tudo bem.

No momento da entrevista, os âncoras dessa emissora, Renet Vasconsellos e Ciesa Tralli, deram início à sabatina. Em determinado momento, a entrevistadora perguntou:

“Outra mensagem obtida pela Polícia Federal diz que essa lobista, Roberta Luchsinger, afirmou que o senhor teria oferecido um cargo a ela e dito para que escolhesse o cargo e o lugar onde gostaria de ficar?”

Em sua resposta, Loli disse:

“Eu não conheço essa moça aí, nunca vi essa moça em minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima a mim.”

Foi aí que esse senhor, na minha visão, incorporou o Pinóquio da história.

Pois, hoje, as redes sociais são implacáveis, dirimindo qualquer dúvida e desmentindo versões que possam ser confrontadas com registros públicos. Há uma infinidade de fotos dos dois juntos circulando nas redes sociais, apresentadas como demonstração da proximidade entre ambos.

Não vou me alongar muito. Porém, a verdade tem que ser dita, doa a quem doer.

Não podemos mais conviver com mentiras deslavadas e vergonhosas, principalmente quando partem de postulantes a cargos eletivos, pessoas que pretendem representar milhões de brasileiros.

A política exige responsabilidade, transparência e, acima de tudo, respeito à inteligência do eleitor.

Afinal, no velho conto de Pinóquio, bastava uma mentira para que o nariz crescesse. Na era das redes sociais, talvez o nariz não cresça fisicamente, mas a mentira pode ser rapidamente confrontada pelos registros que ficam.

FONTE/CRÉDITOS: Professor Licio Antonio Malheiros Jornalista, articulista e geógrafo
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