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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026
O paradoxo Paulo Guedes

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O paradoxo Paulo Guedes

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Fico imaginando como os historiadores irão classificar o governo do capitão reformado daqui a algumas décadas: Neoliberal, liberal, fascista, neonazista ou outro adjetivo qualquer que ainda não conhecemos? Minha classificação seria como o resultado da mistura de jiló, mastruz, jacaré, cobra, lagartos, parafusos, pregos, insanidades, loucuras, devaneios, perversidades, milicias, baixo clero, Golden shower, rachadinhas, fakenews, terraplanistas, olavistas, negacionistas, genocidas, pequi ruído, etc. Tudo batido num liquidificador gigante, e daí o resultado é isso que está ai, e o que me recuso em chamar de governo.

A cada dia os termos mais chulos são proferidos por autoridades e colocados à luz da paciência do povo, sendo que uma grande parte desse povo ainda está anestesiada pelo ódio introjetado pela mídia hegemônica contra a esquerda, contra a política, em especial contra Lula; e a outra parte atônita com tantos impropérios que até hesitam em acreditar no que o Brasil está se transformando.

Poderíamos passar horas citando as falas mais absurdas dos ministros da equipe do militar aposentado precocemente, desde Weintraub, passando por Damares, até Sales, mas vamos ficar com as falas o Posto Ipiranga - Paulo Guedes. Desde aquela reunião de 22 de abril de 2020, onde se ouviu tudo, menos plano de governo, projetos de políticas públicas ou políticas de estado, o Posto Ipiranga, como o capitão reformado o classificou, começou por ataques ao funcionalismo público, com a frase “colocamos uma granada no bolso do funcionalismo”, referindo-se ao congelamento dos salários desse setor.

No dia em que se instala a CPI do Genocído, o tal Posto Ipiranga vocifera duas frases que ficarão na história: uma contra o maior parceiro comercial do Brasil e a outra contra a humanidade. Ao atribuir à China a criação do vírus - e ao mesmo tempo menosprezar as vacinas chinesas, que correspondem a 84% das doses aplicadas no Brasil -, Paulo Guedes se mostra um adepto das teorias da conspiração e do olavismo. A outra frase, quando lamenta o aumento da expectativa de vida do povo brasileiro, mostra seu alinhamento à necropolítica, desnudando um Paulo Guedes mais malthusiano do que nunca (Thomas Malthus - tido como pilar do pensamento liberal, defendia que, ao ultrapassar 10% do contingente de desempregados, o Estado deveria matar o excedente ou com guerras ou doenças, para manter o “equilíbrio” da força de trabalho).

Mas os historiadores poderão dizer que o Paulo Guedes foi positivo para o Brasil nesse período, que teve um papel crucial para evitar o Golpe ou o Autogolpe sonhado pelo capitão. Isso nos faz lembrar do Ministro da Economia do Nazismo, Hjalmar Schacht, que, com algumas artimanhas, fez com que a quase falida economia alemã se recuperasse, aumentando a popularidade do Hitler, o que foi crucial para o avanço do nazismo, alimentando suas ambições com apoio popular.

O Paulo Guedes é o oposto do Schacht: a economia brasileira despenca, nossas reservas internacionais diminuem, o dólar dispara, o desemprego aumenta, o IGPM chega a 60% no acumulado em 12 meses, a fome se abate sobre os menos favorecidos, a classe C - que havia experimentado o gosto de ser classe média - volta à pobreza, investidores estrangeiros abandonam o país e as fábricas fecham. Em suma, Paulo Guedes se mostra tosco, incompetente, falastrão e do Posto Ipiranga não tem nada. Está mais para boneco inflável de posto, aquele que sinaliza para todos os lados conforme o vento.

Com isso, a popularidade do “mito” derrete e a rejeição já supera mais de 50% nas pesquisas. Muito embora o ocupante do planalto tenha ainda alguma popularidade, está cada vez mais difícil ganhar apoio para suas investidas golpistas. Por mais paradoxal que possa parecer, nos resta agradecer a Paulo Guedes: a sua incompetência nos livrará do golpe e do (vô)mito!

(*) CARLOS VEGGI é professor e ex-Diretor do PROCON Municipal de Cuiabá.

FONTE/CRÉDITOS: CARLOS VEGGI
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