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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026
Mais que um chocolate

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Mais que um chocolate

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Sexta-feira, 26 de março, é celebrado o Dia do Cacau. Não por acaso, a pâtissier e agora também chocolatier Thaise Germano escolheu a data para lançar sua linha Biomas, o primeiro chocolate produzido em Mato Grosso.

Trata-se de um chocolate de origem produzido dentro do conceito e da filosofia “Bean to bar”, em que o chocolatier acompanha todo o processo, desde a produção e colheita do cacau, o processamento
das amêndoas, até a fabricação da barra e suas transformações.

foto - João Vieira

Chocolate

“Valorizamos e respeitamos quem produz, utilizamos ingredientes puros e o verdadeiro sabor do cacau, temos parcerias transparentes e com sustentabilidade”, explica.

O chocolateiro vai às fazendas orientar os produtores para que seja produzido um chocolate de qualidade, que respeite e traduza o terroir da cada região produtora, o que faz toda diferença no resultado final do chocolate fino. Assim, são produzidos micro lotes de chocolates, com características bem definidas, sem misturas ou blends de amêndoas.

Cada lote tem a identificação da fazenda produtora na embalagem do chocolate, ou seja há total transparência e rastreabilidade.

O processo é similar ao que já ocorre com o vinho e com os cafés especiais. Cada lote de chocolate produzido permanece em maturação durante três meses.

O símbolo do Chocolate Biomas é formado por três bagas de cacau interligadas, simbolizando as três espécies do fruto e os três biomas presentes em Mato Grosso - Floresta Amazônica; Cerrado e Pantanal.

Naturalmente saudável, sem inclusão de essências, aromas ou produtos químicos, nem de gordura hidrogenada, apenas a pura
manteiga de cacau.

Thaise explica que criou duas barras base com 50% e 75% de cacau e a partir delas vai criando as variações e outros produtos, incluindo a adição de frutas e frutos regionais, além de subprodutos, como o chá de cacau,
feito com as cascas. Faz ainda pão de cacau e cappuccino com cacau rústico em pó.

São barras de 50g prontas para consumo final e maiores destinadas a food service, ou seja, preparações
de confeitaria.

Ela destaca que esse tipo de chocolate não é produzido em larga escala, a produção é feita de acordo com a demanda. Por enquanto, os produtos são comercializados apenas pelas redes sociais - Instagram e WhatsApp -mas a partir de abril entra no e-commerce, em lojas de produtos naturais e alguns supermercados. “As vendas só podem ser feitas em locais climatizados, visto que o produto não pode ficar exposto ao calor e umidade”, complementa.

foto - João Vieira

Chocolate

Páscoa
Como não poderia deixar de ser, ela criou ovos de Páscoa e cestas especiais para celebrar a data.
Os ovos são inspirados nos três biomas: o Amazônia leva castanhado-brasil, ganache de chocolate e recheio de doce de leite; o Cerrado tem castanha de baru e doce de banana; já o Pantanal é de chocolate branco com farinha de bocaiuva, produzida no distrito de Faval, em Nossa Senhora do Livramento, e cocada cremosa.

Segundo Thaise, todos eles poderão ser transformados em barras no futuro, quando a produção se intensificar, o que deve acontecer a partir de maio, início a safra do cacau.

A cesta é composta por chocolate, pão de cacau, café e vinho, uma simbologia do conceito em que trabalha.

Trajetória
Autodidata no tema, Thaíse Germano estudou a fundo toda a cadeia da produção de chocolate.
Ela conta que desde o início de 2017, passou dois anos visitando várias comunidades rurais de Mato Grosso, estudando o assunto, visitando produções de outros estados, especialmente no Sul da Bahia e no Espírito Santo, fazendo cursos.
“Com a convivência com os produtores passei a olhar para dentro com o intuído de resolver para fora. Me questionava como
poderia, através do meu talento, da força do meu trabalho, resolver questões do meio ambiente, da comunidade que eu estava inserida, das pessoas”.

O Chocolate Biomas chega para apoiar a organização da cadeia produtiva do cacau em Mato Grosso e no Brasil. Para fortalecer e disseminar o conhecimento para a economia local.

A área de produção do cacau em Mato Grosso é de 950 hectares, segundo apontamento da Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por hectare são produzidos em média 647 kg/ha do fruto e a produção anual é de 615 toneladas.

Os cinco maiores produtores de cacau do Estado são Colniza, Alta Floresta, Cotriguaçu, Terra Nova do Norte e Juína, que já está recebendo hastes de Rondônia para plantio de novas áreas. Thaise já fez compras de matéria-prima em todos eles.

A intenção dela é chegar aos 14 municípios que cultivam cacau em Mato Grosso. Além dos acima citados, tem ainda Aripuanã, Brasnorte, Castanheira, Juruena, Rondolândia, Carlinda, Nova Monte Verde, Novo Mundo e Paranaíta.

Mato Grosso ocupa o 6º lugar no ranking nacional, sendo responsável por 0,25% do cacau produzido no País -
Pará e Bahia são os maiores produtores.

“Não valorizamos só o produto final, mas também a história por trás de toda a produção e de quem produz”, ressalta. E acrescenta, “tornar o mundo um lugar melhor é a nossa essência e escolhemos fazer isso através do chocolate, valorizando os biomas brasileiros e seus ingredientes”.

FONTE/CRÉDITOS: Rita Comini
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