Cia de Notícias - Conceito em Noticiar

Segunda-feira, 20 de Abril de 2026

Geral

"Este não é o fim do mundo, mas uma prova de fé", afirmam religiosos sobre a pandemia

.

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A crise criada pelo novo coronavírus tem trazido pânico, sofrimento e, sobretudo, provocado inúmeras dúvidas sobre os comportamentos que devem ser adotados durante esse período, tendo em vista a quantidade de informações, algumas contraditórias, que chegam nos telejornais e, principalmente, nas redes sociais.

E, claro, precisando ser levado em consideração a politização da pandemia, com constantes embates entre o presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (sem partido), à direita e o ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, à esquerda. 

E ainda levando em consideração, no caso específico da capital mato-grossense -, que o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB), anunciou, mesmo que a contragosto, nesta última terça-feira (30), novo decreto municipal - nº 8372/2020 - para o enfrentamento à doença, que passou a valer do último 31 de março e vai até o dia 09 de abril, em resposta a determinação da desembargadora Maria Helena Póvoas que determinou que a capital e mais 49 municípios seguissem o decreto estadual.

Em meio a tantas informações desencontradas, de decretos e notícias nacionais, em um país que apesar de laico é bastante religioso, se faz necessário levantar um debate sobre a responsabilidade que as denominações religiosas e suas lideranças desempenham, em uma sociedade que passa por uma crise sanitária e econômica sem precedentes na história.

A reportagem do O Bom da Notícia, entrou em contato com representantes de grupos religiosos para saber quais visões eles têm sobre o atual cenário da pandemia da covid-19, uma vez que o Brasil já ultrapassou a marca de 300 mil óbitos em decorrência da doença.

De acordo com o Padre Henrique Fávaro, da Arquidiocese de Cuiabá, todas as vezes que a humanidade enfrenta alguma crise, sempre vai estar presente, obviamente, a lembrança da morte. Principalmente, em se tratando de uma pandemia, que nos revelou mais claramente sobre a finitude da vida. Diante, sobretudo, de um cenário de guerra, com saldos doídos de milhares de óbitos em decorrência do coronavíruus.

“Talvez esse fato esteja desestabilizando muitas pessoas e despertando para a possibilidade da fé. Somente a fé nos dá uma esperança de encontrar vida, mesmo após a morte e de entender que a morte não tem a última palavra, justamente, porque Cristo ressuscitou”, pontua o padre.

Para ele, a fé é de extrema importância e vale a pena ser buscada. “A fé está intimamente ligada a esperança de que Cristo cumprirá as suas promessas. Ele permanecerá conosco até o fim dos tempos, ele não nos abandonará e nos ajudará a carregar a nossa cruz, independente, de qual seja. Fé que gera esperança e que nos faz viver o maior à caridade concreta, porque especialmente neste tempo de crise nós pensarmos só em nós mesmos e não pensarmos no próximo, como viveremos o amor e a caridade que nos prepara para a vida eterna? O fim dos tempos chega quando acaba o nosso tempo, quando chega o nosso momento da morte, mas se estamos unidos a Deus pela fé, esperança e caridade. A morte é só uma passagem dessa, para uma vida melhor. Mas isso não significa que iremos nos acomodar e deixar de cuidar desta vida, muito pelo contrário, é justamente por causa da vida eterna que nós cuidamos um dos outros nesta vida”, completa.

Já para o advogado e espírita Nestor Fidelis, para aquelas pessoas que seguem a Doutrina Espírita, precisam estar atenta às informações que o mundo espiritual vem trazendo há décadas.

“Tínhamos conhecimento de que passaríamos por alguns processos dolorosos consubstanciados em provas coletivas. E assim tem acontecido com terremotos, maremotos, tsunamis, dentre outras diversas tragédias coletivas. Desta forma, para nós, a pandemia é um desses fenômenos dolorosos que nos convidam a aprender com a dor. Aprender o que? A vivermos com amor, fraternidade, solidariedade, menos orgulho, menos egoísmo, como Jesus viveu e tem nos convidado a desenvolver, sobretudo, as virtudes”, conta.

Fidelis não acredita que este momento seja um castigo divino, como algumas pessoas dizem. Isso porque, para ele, Deus não é castigador. Muito pelo contrário, é amor. Ele aproveita para fazer uma crítica às pessoas que ainda não aprenderam a praticar o amor, a caridade e o perdão, deixando assim, fazer com que a doença tome conta do ser humano.

“Como a humanidade ainda está muito agressiva, violenta, bélica, arrogante, um vírus de letalidade alta como a Covid-19, encontrou ressonância na energia que todos nós, juntos, temos produzido e se espalhou por todos os cantos do mundo, demonstrando-nos o quão frágil somos, independente, de crença, partido, etnia, raça ou poder financeiro. Somos todos irmãos, embora muitos não consigam aprender isso, nem com essa pandemia”.

Nestor finaliza dizendo que é preciso ter inteligência emocional e amor para lidar com esta pandemia que está levando cada vez mais vidas. “O mais importante, por agora, é cuidarmo-nos amorosa e mutuamente, sem cair em desespero improdutivo e cientes de que Deus somente permite que aconteça o que é o melhor para cada um de seus filhos, razão pela qual desejamos muita paz e amor a todos”.

De forma um pouco diferente, ainda que sob o mesmo olhar divino, o pastor Rogério Moreira dos Anjos, líder geral da Juventude Assembleia de Deus, acredita que a pandemia seja 'o cumprimento da palavra de Deus'. “Acredito que esta peste septicêmica, seja uma forma de Deus estar falando com a humanidade. Isso mostra a nossa fragilidade e impotência da humanidade. Um vírus invisível, capaz de tirar a vida de uma pessoa. Nos fazendo pensar que somos pó e igualando todas as etnias, tribos, nações e classes sociais”, diz.

Rogério ressalta ainda que, talvez, a pandemia seja uma repreensão divina, já que em várias passagens bíblicas, Deus repreende o homem. “A repreensão é o símbolo do amor de Deus. Os homens só precisam entender isso. Se a humanidade se humilhar, Deus pode mudar a situação”, finaliza o Pastor.

FONTE/CRÉDITOS: Vivian Nunes / O Bom da Notícia
Comentários: